A formação de cavalos de sela vai muito além do simples adestramento. Para criar animais equilibrados e funcionais, é essencial respeitar a base emocional e física de cada cavalo. Nesse cenário, o treinador e domador Lucas Paiva compartilha lições valiosas sobre doma racional, manejo de equinos e a importância da genética funcional no universo dos cavalos marchadores.
O que é doma racional e por que ela é fundamental
A doma racional é um processo de formação que prioriza o respeito ao tempo e à individualidade do cavalo. Segundo Lucas Paiva, a doma é comparável à educação fundamental de uma criança: um ensino básico sólido garante evolução saudável ao longo da vida.
No centro de treinamento Apalu, Lucas e seu sócio, PC (Daniel Silva), trabalham com a filosofia de que a doma ideal leva cerca de um ano, permitindo que o animal desenvolva força, confiança e maturidade emocional de maneira gradual.
Aptidão para sela: o atributo que define um cavalo funcional
Muito se fala sobre qualidade de marcha, mas, para Lucas Paiva, o que realmente diferencia um bom cavalo é a sua aptidão para sela. Isso significa ser um animal inteligente, equilibrado, confiável e confortável para o cavaleiro — características que só surgem com doma consciente e manejo de qualidade.
Ele alerta que um cavalo de marcha sem aptidão para sela é limitado, enquanto um cavalo funcional pode se destacar em diversas atividades, como cavalgadas, trabalho em fazendas e provas esportivas.
Genética funcional: um patrimônio a ser preservado
A seleção genética tradicional dos cavalos Mangalarga priorizava a funcionalidade, herdada dos tempos em que esses animais eram usados na lida rural e nas caçadas. Essa genética funcional garante qualidades essenciais como rusticidade, resistência e bom temperamento.
Lucas destaca a importância de preservar essas linhagens tradicionais, reforçando que o cavalo de sela ideal nasce de gerações que foram selecionadas para servir ao trabalho e não apenas para exibições estéticas em pistas de exposição.
Manejo de equinos: formação começa no dia a dia
Além da doma propriamente dita, Lucas atua em projetos de manejo de equinos dentro das propriedades dos criadores. Ele acredita que a qualidade da formação de um cavalo começa com o ambiente em que ele é criado, exigindo boas práticas de alimentação, socialização, espaço físico adequado e interação humana positiva.
Essa abordagem prática busca corrigir problemas na base, permitindo que mais cavalos desenvolvam todo o seu potencial.
Doma de cavalos marchadores: respeitando cada etapa
Durante o processo de formação de cavalos marchadores, Lucas enfatiza a necessidade de respeitar cada fase da evolução do potro:
- Primeiros meses: fortalecimento do dorso e socialização inicial.
- Início de doma (em torno de três anos): introdução de comandos básicos e fortalecimento emocional.
- Consolidação (após um ano): desenvolvimento de habilidades específicas conforme o futuro objetivo do cavalo (cavalgada, trabalho, esporte).
Apurar a marcha é importante, mas sem atropelar etapas que comprometem o futuro do cavalo.
Conclusão: o cavalo de sela funcional é fruto de paciência e respeito
Formar um cavalo de sela funcional é um trabalho de longo prazo, que exige técnica, sensibilidade e compromisso. A filosofia de Lucas Paiva ensina que investir na doma racional e na preservação da genética funcional não apenas resulta em cavalos melhores, mas também fortalece toda a base da criação nacional.
Para quem cria, doma ou simplesmente aprecia o mundo dos cavalos marchadores, adotar essa visão é caminhar na direção de uma equinocultura mais sólida, ética e sustentável.
🔹 Assista o episódio completo no YouTube da Central da Marcha.




